24
Mar

E aqui está o vídeo que fizemos para ficar como último post no blog dessa nossa incrível “VIAGEM AO ORIENTE”.

Depois de sete meses, ela chegou ao fim.. Um pouco antes do planejado como disse no post abaixo, mas repleta de muita vida!.

Esse vídeo de dez minutos mostra muito desses sete meses incríveis, são alguns segundos de cada momento (apenas os vídeos com som original), em ordem cronológica em tomadas inéditas. Como se pudéssemos dividir alguns minutos com todos que nos acompanharam para que, de alguma forma, sintam um pouco de tudo que vivemos.

Mais de seis meses em dez minutos! Os meses mais intensos de nossas vidas, com certeza!!

Quem já viajou conosco acompanhando os posts do blog vai poder sentir algumas das aventuras descritas nesse tempo de viagem.

Espero que gostem… Ficou show!

Obrigada de coração a quem esteve aqui! Até a próxima…!

24
Mar

Despedida da Grazi 

Com o coração apertado, aviso que estou voltando ao Brasil dessa nossa linda viagem pela Ásia antes do planejado (estaríamos chegando dia 14/04 no roteiro original). O Guga ainda segue por mais uns dias pela Europa, mas eu terei que voltar na emergência e não poderei seguir viagem com ele nesses poucos dias a mais. Na verdade o tempo de Ásia deu perfeito, o Guga sai daqui 13h depois de mim apenas.

Talvez ele não consiga postar de lá, portanto pode ser esse nosso último post.

Bom, eu volto assim de surpresa, pois fui chamada em um concurso que fiz há um tempo e tenho hora marcada para me apresentar. Saio hoje daqui da Indonésia direto ao Brasil, com escala no Qatar. :)

Antes de tudo, queremos agradecer MUITO a todos que fizeram essa viagem conosco através do blog!

Foi sempre muito emocionante os depoimentos que recebemos, os emails, os contatos e os novos amigos que surgiram dessa viagem, além dos que há tempos eu não falava (pessoal da família surgiu em peso, descobri que tenho milhares de primos!) e que surgiram nos acompanhando.

Sem esquecer dos que estão sempre presente, longe ou perto. Todos vocês… Obrigada mesmo!

Teve até quem foi lá na Índia e me reconheceu pelas fotos do blog no meio de uma multidão em um Festival… Imaginem só!

Nessa viagem não posso dizer que: “aconteceu tudo que alguém pode imaginar”. Não. Aconteceu tudo que nunca se imagina. Tudo que não era previsto, tudo de irreal, foi incrível. Digo até surreal. Por incontáveis vezes pensei: “meu Deus!” E algo incrivelmente inesperado aconteceu. O conhecido slogan da Índia: “Incredible Índia” não poderia ser melhor. É perfeito.

Nessa trip, sentimos que andamos pelo mundo todo. Estivemos com gente de todos lugares, falamos novas línguas e escutamos as mais diferentes delas. Ouvimos os melhores músicos do mundo que nem querem saber de uma gravadora (embora recebam muitos convites) eles querem apenas tocar, cantar livres. No vídeo acima dá para ouvir o que foi isso. Uma vida diferente. “Viver sem contratos me faz livre” disse um amigo francês - “corte um ao menos, nem que seja da cia de celular!” Foram muitas horas de conversas e muitas outras só observando. Escutamos relatos de quem está há vinte anos viajando de mochila, oito anos em um veleiro sem rumo ou criando uma família com crianças pequenas na Índia. Dá para ter certeza que tudo é possível. “Viver de que?” é o que todos perguntam. Mas viver “O QUE” deveria ser a primeira pergunta. O que se quer viver? No momento que se sabe isso, tudo acontece. Você vive como quer, onde quer, com quem quer, exatamente como no seu sonho. Isso até já foi chamado de Segredo (lembram do livro?), mas hoje já está acessível a todos.

Viajando conhecemos lugares, pessoas, comidas, histórias. Mas conhecemos muito mais a nós mesmos. Você anda por aí, tudo é diferente, culturas, pessoas, costumes, religiões e muitas opiniões, é chocante e lindo ao mesmo tempo. Mas, também você se dá conta que a vida e ambições do senhor que planta arroz no interior de uma ilha paradisíaca na Indonésia são iguais às daquele que planta soja no interior do RS ou ainda um outro lá no sul da Italia. Você olha os religiosos na Índia, mas lembra que temos pessoas vivendo na mais pura devoção e fé em todo planeta. Em todos lugares tem a parte feia de cidade e a parte linda. Tem gente ótima e tem os que te passam a perna. Digo isso para lembrarmos que a maior parte da viagem acontece dentro de nós mesmos. Se passamos tudo que passamos nessa longa jornada no Oriente foi porque queríamos sentir de verdade como é estar aqui. E assim voltamos com a missão cumprida… se é que tínhamos missão porque nem sabíamos onde ir no primeiro mês - para os que lembram, a gente só sabia que desceria do avião em Delhi e levamos o nome de um hotel anotado num papel e um par de cidades na cabeça).

Lembro ainda de cabeça a musiquinha indiana do taxista que nos levou a esse hotel, do soco que levei na rua no primeiro dia, da primeira comida…. E de cada acontecimento. Sei como fez o destino para que a gente visse e entrasse em um café no meio de uma escada na cidade de Bagsu Nag quando estávamos indo para o hotel numa chuva e lá conhecemos um “anjo”, o nosso amigo francês Nico, que esteve conosco até o último dia da India, indo e vindo, mas sempre nos encontrando por telepatia - ele jamais vai ter um celular na vida. Ele é nosso ídolo. E até nos chamamos de “primos”. Sabemos como cada um entrou e passou por nossos caminhos e tudo foi perfeito. Sem medos, sem expectativas, apenas deixando “rolar” assim foi toda essa viagem. Na Indonésia também. Encontramos o casal do Rio de Janeiro desde o segundo dia e com eles estivemos sempre em ótima companhia e ficamos felizes de ver como tem gente ótima nesse mundo. Gente de coração bom mesmo.

Emocionada de terminar a viagem eu me despeço.

Mas, emocionada mesmo eu fico de ver o mundo. E eu quero ver de perto. Quem me conhece pessoalmente sabe que não me contento em ouvir os relatos de outros viajantes, quero viver na própria pele, quero sentir também. Eu não acredito no mundo que mostram pela televisão, para mim - hoje, mais que comprovado - ele não é real, acreditem.

Eu não quero ouvir conceitos pré-formados, quero poder formar os meus e quebrá-los também. Gosto de sentir que viajando os países se tornam como bairros, as pessoas de outras nacionalidades amigos próximos, que posso ser recebida em muitos cantinhos do mundo pelas amizades que faço, que me pego falando (inclusive um monte como sempre) em várias outras línguas e que o gostinho das várias culinárias diferentes estão ao meu alcance. Essa sou eu e por isso eu viajo.

E como tem gente que gosta de saber como está a viagem, eu escrevo. E pelo visto escrevo tanto como falo…rsrsrs!

Mas não é só por isso. Eu gosto de poder incentivar àqueles que querem se aventurar também e pelo retorno que recebi, vi que alguns já estão quase de “malas prontas” (se o plano for Ásia, por favor, venham de mochila!). Por isso em alguns posts detalhei o que encontrei tão minuciosamente, pois queria que sentissem como se estivessem aqui.

Porém, podem ter certeza que por mais detalhista que eu tenha sido, muito não foi contado. Primeiro porque cada um tem sua história de viagem e seu ponto de vista e também porque jamais deixaria um lugar sem suas belas surpresas - quem viaja sempre descobre mil coisas a mais. E outra? Como explicar o gosto e o cheiro de uma comida indiana de verdade? Ou o desgosto das “baratas” no café? Arhhgggg!

Como descrever o silêncio de uma praia deserta em Lombok, o chamado muçulmano às 5h da manhã, as oferendas e a fé dessa gente que emociona? Como faria para sentirem o que sentimos quando tu entrega uma nota que vale menos de um real a um vendedor na India e ele faz um monte de gestos de agradecimento àquele dinheiro, abençoa, agradece a todos os Deuses e te olha feliz da vida? E uma indianinha que foi caminhando ao meu lado até uma cachoeira (porque eu não estava mais acompanhando os guris) e me contou que caminha mais de três horas só para chegar ao colégio? A menina tinha um inglês perfeito gente. Dei um cartão postal para ela do Ganesha, escrevi alguma coisa e ela guardou como um tesouro.

Olha, são tantas histórias que faria um livro. Cada pessoa que conhecemos fez algo mudar profundamente. Cada lugar, cada situação, sendo ela boa, ruim, fácil ou difícil teve um desenrolar incrível.

Aqui, do outro lado do mundo, tudo é diferente de verdade. Sempre escutamos isso e comprovamos. Vale a pena vir viver isso! Para quem ainda tem dúvidas ou receios venham de coração aberto e preparados. Será recompensador e TRANSFORMADOR.

Eu, como sou viciada nas viagens, prometo que vou escrever sempre, em todas viagens que fizer até que isso também se torne minha rotina, afinal amo o trio : escrever, viajar e fotografar e disso não abrirei mão jamais. E agora que formamos a dupla do “casal de viajantes - profissão turista nas horas vagas”, serão várias histórias para contar!

Essa acaba agora… mas, como já disse: quando viajar vira estilo de vida, a viagem nunca acaba! :)

Seguiremos pessoal…. e até a próxima! Bjs a todos!

19
Mar

A Descoberta de Lombok 

Falei que ficaríamos apenas alguns dias, mas na verdade nos apaixonamos por essa “quase esquecida ilha” e, se não fosse um acontecimento na minha vida pessoal (Grazi), acho que teríamos ficado por lá até o fim da viagem….estava demais!

Primeiramente quero contar como foi pegar o ferry boat e aproveito para dar umas dicas a quem for fazer isso. Acabamos saindo so na manhã do dia 10/03, às 11h de casa, aqui em Sanur, Bali. Dirigimos nossa motinho até o lugar que se pega o ferry que se chama Padangbai. A estrada parece boa, uma pista larga, bem asfaltada, mas… cuidado a quem se aventurar: ela trocava de direção a todo momento sem nenhuma sinalização. Quando achávamos que era pista dupla se tornava mão única e assim ia, mudando muitas vezes… uma loucura, mas chegamos bem em uma hora de trajeto. O ferry custou 100.000 rupias, algo tipo dez dólares. Tivemos que “dar” U$ 5,00 ao seu guarda por não termos a carteira internacional de motorista (falei que nunca pagaríamos, mas dessa vez não teve como). Ele ainda perguntou: “Tudo bem?” e nós respondemos tipo “sim, tudo bem, pode pegar a grana…” aiaia… Só aqui mesmo uma coisa dessas!

Algumas fotos de lá:

A viagem demorou muito (mais de cinco horas e são apenas 35km) e fomos bem na parte de cima do barco, pegando muito vento, maresia e ainda tinha o chamado muçulmano - em Lombok e todas demais ilhas da Indonésia a religião é Muçulmana, somente Bali que é Hindu - esse chamado é feito por rádio e acontece várias vezes ao dia. Eu particularmente acho lindo, mas no barco estava tão alto que ficou chato. A viagem toda demorou quase 7h e chegando em Lombok resolvemos ir para Kuta Lombok, desistindo de Desert Point, pois as ondas lá não chegaram como previsto e também porque o casal de amigos cariocas ficaram em Bali.

Sozinhos, sem mapa, sem saber de nada e na escuridão da noite fomos bem aventureiros perguntando a direção de Kuta Lombok em alguns bares, supermercados que ainda estavam abertos e depois de uma hora e meia chegamos a praia de Kuta. A estrada final era tão escura que achamos que iríamos dar de cara com uma pantera a cada momento ou um elefante… Vai saber!

Chegando lá descobrimos um outro astral! A pequena praia estava em um dia de festa (reunião de pessoas que tem aquela scooter chamada Vespa, aquela antiga motinho italiana toda bonitinha). Tinha um monte de gente pelas ruas, bares abertos, um clima descontraído, um ventinho fresco e logo dois meninos perguntaram de onde estávamos vindo e se queríamos indicação de hotel. Já ficaram nosso amigos.

Ficamos em uma pousada bem na beira da praia super legal com café da manhã (frutas, panqueca de banana super deliciosa e um café com gengibre que viciei - comprei até para levar a Brasil). A diária ficou em torno de dez dólares.

Nós tomando café da manhã na varanda do quarto. Café caprichado e panqueca com cheirinho de baunilha, segredo deles.

Do lado da pousada um restaurante ótimo, comida muito boa e pizza perfeita virou nosso ponto de todas outras refeições e onde comemos muitas vezes com nossos vizinhos de pousada: a Stefani e o Simmon que são da Bélgica. Super queridos, ficaram conosco a maior parte dos dias sempre com programas legais e boa companhia. Agora já sabemos que a melhor cerveja do mundo é na Bélgica (além do melhor chocolate) e já temos convite para ir lá e curtir todas essas maravilhas belgas… Hummmmm. :)

Sobre Lombok vou tentar ser breve, se conseguir. Lugar lindo, praias de sonhos com a areia mais branca que já vi na vida, a água mais azul do mundo, fresca, gostosa mesmo, daquelas que tu mergulha e não tem frio, mas também não fica sentindo que entrou numa água morna. Perfeita. Já na primeira praia que fomos eu delirei com o visual.

Olhem só o que era a praia de Tanjung Aan. Detalhe: sempre estive sozinha nessa areia. No máximo, vi uma pessoa de turista, mas bem distante de mim.

O pessoal daqui não costuma ir a praia. Muitos locais surfam é verdade, mas se deitar na areia de biquíni, isso não existe. Essa praia era de locais e então nem turista tinha. O dono da nossa pousada que nos levou lá no primeiro dia e já apresentou esse “local spot” para o Guga surfar. As ondas estavam ótimas e ele surfou lá muitas vezes, porém, no último dia, ontem, foi “gentilmente convidado a se retirar” por um surfista local (que falou isso com calma e um sorriso no rosto). O cara foi educado e entendemos, afinal eles só tem o domingo de dia livre para surfar e essa praia é para surfistas locais… tudo bem, aproveitamos no mar e na areia mais um pouco e saímos em respeito.

O que tem são vendedores de cangas e  artesanato. Essa aí é a dona Maria (comprei uma canga dela).. rsrsrs!

Fomos também a outras diversas praias nos outros dias.

O paraíso perdido (nós achamos e fomos!!!) da praia de Mawun que fica a uns 10km de Kuta. A praia simplesmente não tinha ninguém, o mar era turquesa, sem ondas… Se explicação. Eu me atirei na areia e quase que não levantei mais…kkkk!

Dali seguimos para a praia de Maui. Uma estrada difícil com belas paisagens. Foi duro conseguir passar com a motinho e na pior parte nem foto consegui tirar, mas segue algum exemplo e o fim recompensador. Praia de altas ondas essa.

No meio da estrada muito arroz secando…

A praia de Kuta onde estávamos é cheia de restaurantes e bares. Achamos um com uma comida super bem apresentada, também pudera, o restaurante se chamava “Professional Food”. Olha aí o espetinho de peixe do Guga que veio espetado num alho poró com cone de arroz e molho de amendoim. Eu tomei café gelado. Visual de fim de tarde ótimo.

Lá pela quarta feira, dia 14/03 ventos fortes começaram a soprar. Tão forte que foi impossível surfar e ficar na beira da praia. Os serviços de barcos pararam de funcionar, os ferry boats também e a luz foi cortada. Ficamos assim por dois dias e meio. Já não tinha mais gelo nos restaurantes e bebida gelada para tomar estava acabando. Algumas comidas como nossa pizza do bar do lado da pousada também. “Ilhados”!

Foi meio quente para dormir sem o ventilador, mas foi interessante porque fizemos um passeio por um vilarejo chamado Sade onde fazem muito artesanato e vivem em casas de palha (são mais de 700 pessoas nesse vilarejo e todas da mesma família, se palguém quiser casar com uma moça de fora da vila tem que dar ao pai dela dois búfalos!).

Em um outro dia tentamos ir até o pé do grande vulcão de Lombok chamado Rinjani, mas como estávamos com os belgas e mais uns cinco outros belgas, amigos dos nossos vizinhos, não chegamos ao destino e tivemos que voltar. Um dos belgas se perdeu e os outros dirigiam tão devagar que o que era para fazermos em duas horas ia levar dois dias…é, definitivamente, dirigir na Bélgica não é como dirigir na Ásia meus amigos! Fotos não tirei, só essa do nosso grupo perdido e o Guga quase morto de tanto dirigir.

Em um dos dias de alto surf fomos a Gerupk. Para chegar lá tivemos que pagar um barco, pois ele largaria os meninos já dentro do mar, lá nas ondas. Eu fiquei com minha amiga no barco tirando fotos. Não consegui tirar muito bem fotos do Guga surfando porque o capitão do barco ficou meio de lado, sei lá o que deu nele… Ele se distanciou das ondas e como ele não falava inglês foi difícil a comunicação. Mas foi emocionante ver ondas tão grandes bem de pertinho.

Fotos da praia de Segar que fomos em um fim de tarde. Cheia de ouriços e peixinhos lindos:

Sete dias depois, felizes demais por termos descoberto essa linda ilha de Lombok, com esse povo tão especial, querido, amigo e receptivo, voltamos a Bali. Dessa vez fomos mais espertos no ferry boat e aí vai a dica: pague mais U$ 2,50 cada pessoa e vá na Primeira Classe. Olha só o luxo, cadeiras boas, DVD e ar condicionado. Voltamos bem confortável, sem se sujar e sem vento na cara. O barco quase virou, mas isso foi culpa do vento lá fora.

Na estrada para Lembar, cidade que se pega o Ferry Boat para voltar a ilha de Bali, passamos por muuuuuitas plantações de arroz, por vilarejos simples e lugares muito pobres, assim como naquele dia que ventou muito e que fomos passear com os belgas.

Pensei que essas pessoas daqui não enxergam e nunca vão enxergar a Indonésia como um lugar de praias lindas e de férias, muito menos de altas ondas, hotéis de luxo, resorts e massagens baratas a cada esquina. Para essas pessoas, essas ilhas não passam de seus humildes vilarejos, seu lugar para plantar e cuidar da família. Os adolescentes aqui não vão para a praia. Mesmo sabendo que estão numa ilha e que dirigindo no máximo duas horas para qualquer direção vão chegar no mar (pelo menos em Lombok que tem uns 80km de extensão) eles não fazem isso. Vivem como no interior, vida simples, dura e de muito trabalho. Vi muitos senhores, bem velhos já, carregando nas costas sacos enormes de arroz ou pasto e pensei que esses jamais vão ver a Indonésia “vendida” aos turistas. Eles mal entendem o que a gente faz passando de moto por ali, no meio do vilarejo que vivem. Isso dá para sentir pela carinha que as crianças fazem quando nos vêem passar, nos olham como extraterrestres, começam a gritar para avisar os outros, abanam, sorriem, ficam de boca aberta assustadas sem expressão. Parece que vão contar aos seus netos daqui uns 50 anos: “quando eu era criança, eu vi algumas motos passando rápido com pessoas diferentes, bem brancas, com roupas estranhas que abanaram para a gente…”.

Talvez sim, talvez não. Com a inauguração do aeroporto internacional de Lombok agora em 2012, todos dizem que essa ilha vai “estourar” como aconteceu já com Bali. Dizem que Lombok é como era Bali há mais de vinte anos. Onde ficamos, na beira da praia de Kuta, provavelmente, vai se tornar um lugar para os grandes resorts de luxo. Os locais perderão seu espaço e se sentirão estranhos em sua própria ilha.

Escutamos essa frase de um garçom local que muito nos ensinou sobre sua religião muçulmana e muito contou sobre as mudanças avassaladoras dos últimos tempos. Sobre as crianças que não tem mais paciência de esperar, sobre a diminuição do respeito com os mais velhos, com a segurança, com a invasão dos turistas, sobre o lixo sem fim, sobre educação, política e sobre essa mega transformação na Indonésia.

Em Bali dizem que Lombok é perigosa, que é um lugar de alguns bandidos e que tínhamos que tomar cuidado. Não sentimos nada disso, pelo menos não por onde passamos. Bem pelo contrário, em Lombok vimos e comprovamos que o povo ali é super amigo, receptivo e que essa “fama de perigo” é espalhada em Bali para manter os turistas somente em Bali. Em Lombok eles estão sempre sorrindo, querendo ajudar de verdade sem pedir dinheiro em troca. É um povo lindo que adora fazer amizade, que conversa calmamente (achamos o inglês de alto nível também) e que trata o turista cordialmente e com muito respeito. Nunca fomos xingados por nada em Lombok.

Andamos sem capacete, não existia a polícia e os locais não eram interesseiros. Os turistas pareciam mais calmos, fizemos amigos e adoramos a experiência de viver de verdade um tempinho em outra ilha. O clima lá é bem melhor também, não chove quase, tem sempre vento e não precisa mesmo de ar condicionado como aqui em Bali. Não tem trânsito e nenhum lugar é lotado. Os bares tem um climinha de praia daqueles que hoje em dia não se encontra mais facilmente. Achamos muitas outras praias desertas, lugares secretos e uma paz enorme.

Acordamos todos dias antes das 7h, um dia acordamos as 5:30h. Dormíamos cedo, acordávamos cedo, comemos saudável, descansamos mais ainda… aproveitamos muito bem e levaremos essa experiência de Lombok para sempre, compartilhando com todos que quiserem vir a Indonésia para que não fiquem somente em Bali, pois um “outro mundo” está ali do ladinho… Só esperando para ser descoberto!

Eu até artesanato com as conchas que achei na beira da praia fiz. Olha aí que gracinha meus colares (e o cordão é de raiz de árvore):

9
Mar

Partindo de Bali rumo a Lombok 

Bom pessoal… chegou o dia em que deixaremos Bali! Ah, mas só por uns dias!

Vamos hoje mesmo (daqui duas horinhas apenas) a outra ilha chamada Lombok. Viajaremos toda a madrugada num desses “ferry boat” e chegaremos lá de manhã cedinho.

Estamos indo com aquele casal de cariocas, o Júlio e a Vânia, nossos amigos aqui super queridos e não sabemos bem quando voltamos..rsrsrs! Depende das ondas, depende do tempo, depende…

Mas não vamos demorar, acho que uns cinco dias de aventura pelo “deserto das praias”. Lá não tem telefone, não tem internet, não pega celular, nada. A praia que vamos se chama Desert Point (dá para ter idéia do lugar só pelo nome, né?) fica ainda umas duas horas de estrada depois de descer do barco. Vamos que vamos na motinho guerreira. É muito chão, mas muito lindo pelo que todos falam (parece que tem um monte de bichos diferentes).

Está entrando umas ondas (previsão de dois dias intensos começando amanhã) e lá vamos nós então!! Ebaaaa! Nosso amigos voltam segunda, mas nós vamos dar mais uns giros pela ilha, talvez indo até a chamada Kuta Lombok.

Achei essa foto aí na internet e se encontrarmos lugar assim tão lindo vai ser ótimo. Prometo que conto tudinho no próximo post… até la!:)

5
Mar

No hospital testando o Seguro Saúde GTA “Quem tem medo do Coral” Parte II 

Ainda não tinha relatado aqui no blog (pois achei que seria algo passageiro e de cura rápida), mas o Guga, não satisfeito com os ferimentos dos corais, também está com infeção no ouvido. Começou uns doze dias atrás e estávamos tentando contornar o problema com óleo de tea tree, mas não estava funcionando.

Então - hoje - resolvemos ir no médico e com isso também testaríamos o seguro saúde, que é sobre o que vou falar e elogiar muito nesse post.

Para ir a Índia fizemos somente aquele seguro saúde que se chama “Deus nos proteja” e ele nos protegeu mesmo! Um monte de gente ficou apavorado de viajarmos sem nenhum seguro e apenas com três óleos essenciais: de tea tree, lavanda e citronela (esse último para mosquitos). Deu tudo certo, passamos mal com as contaminações da comida, mas tudo dentro do script de uma Viagem ao Oriente.

Para vir a Indonésia era diferente. O Guga surfa e aqui os perigos são enormes com o mar, fora esse trânsito maluco que me faz todos os dias acreditar que milagres existem sim e que estamos sob forte proteção.

Pois bem. Eu continuo com o seguro de saúde “que Deus continue me olhando” e para o Guga fizemos o seguro da GTA. Eu já havia feito esse seguro quando fui para os EUA, mas não tinha utilizado, portanto não sabia se era bom mesmo.

Esses tipos de seguro saúde internacional são ótimo e para alguns lugares, como a Europa, são obrigatórios. Caso alguém estiver indo para Europa, vale a dica que é quente: você pode utilizar seu seguro aí do Brasil, do INSS para ir, pois é válido em alguns países como Itália, Portugal, entre outros. Mesmo se não estiver empregado com carteira assinada, é só ir no INSS e pagar uma taxa de autônomo que eles validam. Confira aqui.

Alguns cartões de crédito internacionais (Visa, Master e outros) também tem seguro saúde e bem completos, mas tem que pagar a passagem com o cartão… Coisa que descobrimos só depois, infelizmente.

O seguro da GTA é bem fácil de fazer. Fizemos através da nossa agente de viagem quando estávamos saindo da índia. Tem que fazer antes de entrar no país que você quer ter o seguro. Não adianta fazer depois que eles não vão aceitar, viu?

Pegamos a categoria Bronze. Não foi muito caro não, pagamos U$ 78,00 (setenta e oito dólares) para dois meses. Fazer o seguro é simples e leva, no máximo, uma tarde. Basta passar seus dados para o agente de viagem e pagar que no mesmo dia ele te manda a apólice. Aqui dá para ver mais ou menos os valores que minha agente tinha cotado e os tipos de planos. O bronze já estava o suficiente e, assim fizemos com validade até o dia 05/03 - hoje!!

Para quem não tem um agente de viagens, recomendamos a Viamercosul SA que, inclusive, está acompanhando nossa viagem através desse blog.

Simmmmmm…. Só no último dia de seguro fomos usá-lo! Confesso que achei que não funcionaria, primeiro porque no contrato dizia para ligar a cobrar para a GTA, porém quem disse que dá lara ligar a cobrar aqui da Indonésia? Muito fácil da Europa, Canadá, EUA e outros, mas nem no site da Embratel tinha o tal código para ligações a cobrar. Inclusive já tivemos problemas com isso, pois, por exemplo, para ligar para o cartão de crédito, só aceitam a cobrar e aí fica díficil….

Mas que bom que tinha um número normal e usamos esse para ligar. Eram 16h aqui, madrugada no Brasil (estamos 11h na frente de vocês) e ligamos para a GTA São Paulo.

Prontamente atendeu uma menina. Ela perguntou o que tinha acontecido, pediu o número da apólice (que tem no contrato, bem visível), o CPF do Guga, idade e nosso número de contato aqui. Além disso, perguntou a região de Bali que estamos e disse que em 40 minutos alguém ligaria.

Minutos antes eu tinha pesquisado em alguns blogs sobre a GTA e em um deles falava super mal, que eles diziam que entrariam em contato, mas não entravam, que demoravam… Fiquei até desconfiada, mas… O telefone tocou! Era alguém da GTA (falando em inglês) dizendo que poderia marcar o médico no Hospital Internacional de Bali às 18h.

Nooooooooossa! Perfeito. Aqui do lado de casa, praticamente na mesma avenida e tão rápido. Ficamos surpresos com o atendimento da GTA.

Mas melhor ainda foi o fim da consulta. Todos os medicamentos foram pagos pela GTA. Pode isso? Mas que maravilha. Só vamos falar bem desse seguro agora e super recomendo para viagens: não é tão caro, atendem você no telefone sem musiquinha e sem espera e te colocam em hospitais bons mesmo - além de pagar o medicamento.

Olha só o Guga com a sacolinha do hospital. E a caixinha personalizada então?

Saímos de lá, sem gastar um centavo, com um remédio para infecção e umas gotinhas de antibiótico para pingar no ouvido.

Agora devo postar tudo que a Doutora disse sobre infecções no ouvido e, principalmente, sobre os CORAIS. Alguns pontos do meu último post vou corrigir/melhorar.

CORTES EM CORAIS: ela disse que o remédio “Betadine” (que comentei no último post) deve ser usado somente em um primeiro momento para limpeza e, após aplicação, devemos lavar com água e não aplicar mais. Ela disse que o limão não. Fez até uma cara de susto. Nesse ponto não concordamos, pois aqui todos locais usam limão e foi o que mais ajudou nos cortes do Guga (imagina que um médico vai concordar que uma fruta ajuda em algo!). Também disse que tem que cortar total as idas no mar e piscina até o corte fechar por completo. Também contou que há uma bactéria nos mares de todo o mundo que se você pega, tem 50% de chance de vida. Isso não é muito divulgado, mas ontem mesmo estava vendo um vídeo chamado “Terráqueos” que falava justamente dessa bactéria, oriunda da matança de animais para servir de alimento ao homem.

ps: Faço aqui uma pausa para o bem do mundo: “Terráqueos” - Filme esse que todo ser humano deveria ver (perdão para interferir sobre isso no post sobre o hospital, mas assim eu faço minha parte nesse mundo de pessoas horríveis, cruéis e ignorantes). Desafio alguém assistir todo esse filme (tem no YouTube com legendas em Português e ele é real, filmado às escondidas) e mesmo assim continuar comendo carne, usando couro ou pele ou olhar um medicamento como antes. Eu duvido. Duvido. Quem assistir todo - até o fim mesmo - sem tapar os olhos, vai mudar. Ou pode começar a comer o bebezinho da família fatiado, junto com seu cachorro de estimação temperado. E o gatinho persa de sobremesa cozido no microondas.Vi esse filme e durante seus 40 minutos quis mesmo que algo aconteça com a humanidade para valer. Chorei ao ponto de minhas lágrimas me cegarem e ter que voltar o vídeo e, por todo o tempo, desejei profundamente que todos pudessem ver esse filme um dia e que acordem! Ou tomamos consciência vendo o que está na nossa cara e mudamos, ou pagaremos todos com o resultado disso. Pronto, falei! é meu dever como ser humano fazer isso, já que tenho tantas pessoas que agora estão lendo o que eu escrevo. Podem ver o filme sozinhos, sem contar a ninguém, em casa quietinhos sem alarde. é quando estamos sozinhos mesmo que aquela “voz interior” conversa conosco…..

Voltando as indicações da doutora, agora sobre INFECÇÕES DE OUVIDO: achamos super interessante o que ela disse sobre a cera do ouvido e a diferença dos povos. Sabiam que quem vive em climas tropicais (tipo aqui que faz em torno de 30ºC todos os dias do ano) tem os ouvidos maiores e o canal mais alongado? Isso para que no calor a cera do ouvido possa ser expelida mais facilmente. E nós? Claro que não. Por isso ela disse que quem vem para essas regiões é recomendado fazer uma limpeza com o otorrino antes, assim a cera não acumula (e as bactérias e fungos não se proliferam no ouvido).

Ela recomendou também uma solução que se chama “Water Ear” (água do ouvido traduzindo) para aplicar depois do surf. é uma mistura de álcool e vinagre que ajuda a retirar o excesso de água e limpar. Tentamos fazer essa solução em casa, por recomendação da mãe do Guga, mas quem disse que achamos álcool de verdade aqui? Só em gel que não funcionava. Ah! O vinagre serve para não ressecar o ouvido disse a médica.

Por fim, o seu Gustavo está de novo sem poder surfar…. :(


Vai ficar mais cinco dias em casa cuidando do ouvido e dos corais. Além disso ele tava com pressão alta, como constatamos no hospital. Deve ser pelo susto de ter que ficar mais uns dias de molho e porque nossa viagem está se encaminhando para o fim… Ohhhhhh! Nem quero comentar sobre isso agora: em outro post!

Agora a parte de dar risada: perguntamos a médica se ok deixar o ar condicionado a 16°C dia todo e sabe o que ela disse? “Nãooooo, ar condicionado somente a 27º!!”

27ºC?? Ahhhh, tá! Piada, né?
Pior que essa temperatura já é inverno para eles aqui….

Ah! Voltando a falar naqueles humanos estúpidos que ainda vivem nesse Planeta, hoje mesmo, indo para o hospital (de moto e na chuva) nós fomos vítimas desse tipo de gente. Uma camionete grandona e preta se aproximou buzinando e quando demos lugar o vidro se abriu e um bando de loucos (só posso chamar assim) começou a gritar e atiraram na gente uma sacola de lixo do Mc Donalts. Pareciam ser uns australianos com motorista balines. Gritamos com ele e eles continuaram gritando e rindo em alta velocidade. Um absurdo, um nojo, nem sei o que falar. Colocaram a gente em risco numa pista molhada e para que??? São uns porcos mesmo. Comendo porcaria do Mc e fazendo mais porcaria ainda no trânsito, achando bonito assustar as pessoas.

Ai Senhor, que será desse mundo?

2
Mar

Quem tem medo do coral? 

O que pode ser mais afiado que um coral? Nem a pontinha de uma faca bem assassina se aproxima desse perigoso ser dos mares.

Assim que são os corais aqui:

E eles estão embaixo da água fofinha e tranqüila, onde você está nadando, vendo peixinhos, até tentando caminhar ou… pior: surfando.

E a bomba que te empurra para o coral? Forte.

O perigo que se esconde:

Os surfistas amam bancadas de coral, pois as ondas que quebram nesse tipo de barreira não se alteram conforme o fundo do mar, como acontece nas praias de fundo de areia macia. Aqui na Indonésia, lugar de sonho do surf, os corais se estendem desde a areia (muitas vezes as pedras iniciam bem antes da água) e vão até lá no fundão, bem depois de onde as ondas quebram, ou seja, todo mundo tem que pisar no coral, desde os que ficam só pegando um sol e mergulhando para se refrescar, até os que vão direto para o surf.

A maré muda muito rapidamente aqui também. Freqüentemente chegamos na praia e tem um monte de água até a beirinha, mal dá para ver o coral e em menos de duas horas já podemos caminhar sobre ele por cerca de 50 metros. Assim mesmo!

Olha só como estava a praia de Uluwatu no domingo passado, o Guga entrando e o cara surfando logo ali perto, já dentro do tubo!!

No fim do dia estava mais seco ainda e a onda gigante bem ali pertinho no raso. São todos uns malucos esses surfistas, digo eu.

E na maré cheia nem parece a mesma praia. Essa foto é no mesmo lugar da foto acima e ele já teve que entrar remando. Olhem ele ali:

A maré baixa, a ondulação cresce e aí…. Kamikase para os surfistas! Caiu no coral sem proteção… Se ralou, furou, cortou ou arrancou um pedaço mesmo! Uiiiiiii!

O Guga experienciou duas dessas já. A primeira ralou o braço e foi feio mesmo, demorou quase quinze dias para sarar e ainda tem muitas marcas e na segunda metralhou os dois pés de pequenos furinhos e rasgos que estão dando trabalho.

Se cortar no coral não é como se cortar com um vidro ou cair andando de skate. Qualquer pequeno machucadinho, se não for cuidado pode levar a uma infecção muito séria.

Como o coral é composto de muitos organismos vivos, ele tem um certo “veneno”, digamos assim. Pode ser um arranhão do tamanho de 0,5cm. Não importa, se não cuidar vai dar o que falar.. Ops! O que sentir, melhor dizendo.

Passamos um certo trabalho até desenvolver a técnica mais adequada para o tratamento dos cortes nos corais. Com a ajuda de amigos mais experientes, conhecimento dos locais e alguns depoimento de outros surfistas e pessoas que já passaram por isso, somado a tudo que fizemos para cuidar dos ferimentos do Guga, aqui vai o que resumimos para “kit emergência-sobrevivência” caso você também se corte:

1 - Sair do mar e passar água mineral imediatamente, se possível lavar com sabão e ter certeza que não restou nada do coral dentro do corte. O bom seria usar uma escovinha de dente macia, mas vale tudo na hora: nem que seja um pedaço da sua roupa, esfregue até sair tudo. Vai doer, lógico.

2 - A coisa mais importante e DICA DE OURO é o santo LIMÃO!!! Limão foi o que sempre curou as feridas infeccionadas e o que evitou que o corte fundo no braço do guga ficasse pior. Pegue limão e esprema seu suco em cima da ferida. Faça isso assim que sair do mar, depois de lavar com água (se não tiver água para o procedimento 1, faça o limão igual!). Vai doer mil vezes mais que lavar. Vai doer demais (tenho certeza que a dor é horrível pelas caras que o Guga fazia)… mas vai te salvar, pode confiar.

Limão direto no corte, direto em cima da carne… Uiiiiiii!!! Aproveite para gritar e xingar todos e tudo que estava te incomodando, dê uns pulinhos, xingue o coral e continue curtindo esse momento sem desistir.

Ai… Foi triste ver a dor desse limão. Mas funciona mais que tudo.

3 - Agora, chegando em casa compre “Betadine”. Aqui custa U$ 2,50 e tem até no supermercado. Mas cuidado! Esse medicamento é feito de um extrato de concha e alimentará o coral se ainda restar algo dele dentro de você, então só passe se tiver absoluta certeza que o local ferido está muuuuuito limpo.

Também encontramos dois remedinhos mágicos: Nebacetim em pó e um derivado que estão aí na foto.

No primeiro corte do braço do Guga usamos somente isso e ajudou bem, pois mantém o corte sempre seco e evita que entre sujeira, pois esse pó faz tipo um “gesso” no ferimento, protegendo até que se feche. O “Powarolam” foi o dono da casa aqui, o Pete, que nos deu, ele comprou na Malásia e parece que não tem aqui. Gostamos mais que o Nebacetim que desencadeava uma reação estranha, fazendo sair uma água de dentro do corte.

O resultado da aplicação: 

Vale também tomar uma cerveja geladinha na beira da praia que é servida com amendoins e banana chips para aliviar os momentos de dor do limão, como foi o que fizemos no dia do corte fundo no braço. Ajudou. rsrsrsrs :)

Bom, ferimento tratado, agora seria ficar uns dias sem contato com o mar, ainda mais esse mar daqui que é tão vivo, com tantas algas, peixes, enfim… tudo que alimenta uma infecção. Porém, se as ondas estiverem rolando… Vai ser difícil.

Olhem só o que faz o Guga não ter medo do coral:


E com um pôr-do-sol desses então… espetáculo da Terra!!! E saindo no coral, lógico!

A única coisa boa dos corais são essas “piscininhas” que se formam. Água cristalina com um fim de tarde desse (já de noite na verdade - hora que os surfistas saem do mar).

Super lindo esse visual!

O Guga está se cuidando bem e a todos que nos perguntaram sobre ele, muito obrigada. Ele está melhorando bem rápido agora que adotamos as técnicas que relatei.

Mas vai comprar uma botinha para surfar! Hahahaha

Para quem quiser mais dicas, o artigo sobre “Fundo de Coral- Os prazeres e desprazeres” é ótimo. O depoimento e dicas do surfista nesse site também ajudou (está em inglês).

Fonte da foto embaixo da água: http://febryplay.blogspot.com/2011/12/11-best-diving-places-in-world.html

Ah! E como eu sou muito companheira, eu também me cortei no coral (machucado minuatura)… Mas dói, viu?? Oh ele aí no pezinho…

27
Feb

Ser chique é ser vileiro 

Tem um jornalzinho quinzenal de distribuição gratuita aqui em Bali que tem despertado minha curiosidade. São tantos, mas taaaaantos anúncios de casas para vender, para alugar por dia, semana, mês, ano ou anos (até por 15 anos!) que resolvi dar uma olhadinha nos preços nesse jornal e também na internet.

E não é que fica bem mais em conta que um aluguel em Capão da Canoa, Atlântida ou Xangri-lá? Esses nomes que citei são praias do RS para quem desconhece e, até onde sei, são os lugares que o pessoal vai com familia e aluga uma casa para a “temporada” de férias. Já acompanhei uma busca por uma casa uma vez e vi pessoas fechando diárias por mais de duzentos reais, fácil.

Ainda tem os que sobem mais um pouco em direção as belas praias de Santa Catarina. Eu estou muito por fora de preços hoje em dia, mas acho que casas boas e bonitas na beira da praia devem estar numa faixa de preço bem alta atualmente. Duvido que se alugue algo como as casas que vimos aqui por R$ 50,00 (cinquenta reais) por dia. Digo: uma casa grande, onde tenha espaço suficiente bom para seis pessoas em três quartos grandes, com banheiro individual, piscina, jardins, enfim… no tipo “vilas” aqui em Bali.

Aqui na Indonésia ser vileiro é ótimo! Muito chique morar na vila. Vila é melhor que casa e aí que você pode estranhar… mas não, vila aqui significa que você mora em uma casa grande, geralmente com espaço aberto e tem que ter piscina. Se não tiver, não importa se for gigantesca a casa, não será uma vila.

Então o “bum” da construção e do mercado imobiliário aqui foi construir Vilas e mais Vilas.

Conversando com o dono da casa aqui, percebemos que esse “bum” não foi pequeno, foi tipo: uma “explosão nuclear”. Terrenos de 10mx10m eram vendidos a U$1,00 (um dólar) há vinte anos atrás. Simmmm! Só isso. Calma, não se atire da sacada e continue lendo meu amigo. E agora, em 2012, são vendidos a U$70.000,00 (setenta mil dólares)!!!

E você achou que tinha investido bem no terreninho no Rosa, né? Bah… perdeu! Álias, perdemos todos nós que não compramos terrenos por um dólar. Acho até que eu tinha essa grana da minha mesadinha com 9 anos de idade! rsrsrsrsrs

Mas enfim… quem comprou na época foram os investidores que descobriram essa terra linda e natural, meio que isolada e desconhecida e viram o enorme potencial de para explorar o turismo e a construção.

O legal é que mesmo com esse aumento de zilhões por cento nos preços, ainda dá para alugar, comprar ou construir casas extremamente belíssimas por muito menos que em regiões similares no Brasil. A mão de obra é muito barata aqui (por exemplo: uma empregada doméstica que vive na sua casa e trabalha o dia todo para você, custa mensalmente R$ 170,00 - cento e setenta reais). Quanto custaria no Brasil?

A casa que estamos é muito bonita, grande e é uma vila. Alugamos por um preço bem bacana e muito justo por tudo que ela oferece. Temos quarto privado no anexo da casa, totalmente independente, com muito espaço, banheiro grande com banheira, frigobar, TV com canais privados, dvd, ar condicionado split ligado 24h em 17 graus (rsrs! tá muito quente lá fora!), com internet wireless e a casa toda pode ser usada: a piscina, cozinha, sala, enfim… esse mês então será todinha nossa. O dono simplesmente já se mudou para outra ilha e deixou a casa para nós. 

Essa é a nossa casa:

Vimos casas na área de Ubud (fiz um post sobre essa região: http://viagemaooriente.tumblr.com/tagged/Ubud) por U$ 300 (trezentos dólares) ao mês lindíssimas! Isso que nem perguntam se dava para dar um descontinho, pois a casa era tão gigantesca que nem nos interessamos. Com certeza eles reduziriam o preço. Ainda é muito dinheiro para eles o valor que pedem embora, para nós, pareça muito mais que ok.

Para quem me perguntou sobre as casas, valores e lugares digo para reservar algo pela internet antes, mas não lugar por temporada diretamente em sites. Essas que publiquei aqui nesse post, peguei de imobiliárias locais e as diárias ficam em torno de U$150 (cento e cinquenta dólares) para casas grandes com três, quatro, cinco quartos.

Parece bom esse preço? Sim, mais barato que uma casa idêntica em Santa Catarina; porém, estando aqui tudo muda. Basta entrar nos bequinhos, nas ruelas que se escondem pelas grandes avenidas e você vai achar algo igual bem mais barato. Toda família aqui tem uma casa para alugar ou conhece alguém que tem; ou seja, eles sempre vão arrumar o que você quer, no preço que você quer.

Essas que ilustram o post estão para vender também. Sim, pois aqui tudo é negócio e eles alugam por horas até se você pagar. “Why not?” - dirá o dono.

Bom, para comprar não é tão barato. Em torno de U$ 350.000,00 até U$ 600.000,00 em regiões chiques e até por U$ 50.000,00 em regiões mais afastadas, porém com a mesma infra-estrutura de casa. Só muda o local que deixa de ser no ponto badalado para ficar mais no meio do mato. Mas nada de lugar ruim, claro que não… no meio dos arrozais.

Vejam só se tem algum problema acordar e ver os campos de a arroz:

Acharam caro? Talvez… depende na verdade. Ainda tenho certeza que essas casas, com tudo que elas oferecem, pois - vejam bem! - muitas vem completamente mobiliadas e você entra só com sua mala de roupas!, devem custar milhões no Brasi. Literalmente: milhões de reais.

Claro que a passagem para a Indonésia não sai o mesmo que a gasolina para SC, óbvio! Mas se você tiver umas férias grande e conseguir viajar com mais pessoas, uma boa opção é mesmo vir para cá e alugar uma dessas casas enormes com vários quartos. Ou, pensar em onde investir seu dinheiro, pois o mercado aqui parece mais promissor que o sul de Floripa (que pelo que sei está super inflacionado). Vai que daqui a uns dez anos essas casas  de cem mil dólares subam para os milhões de dólares? 

Ai… que pena que não tem mais esses terrenos por 1 dólar.

Puxa.. perdi a barbada!

25
Feb

Fuja da Policia!! 

Para quem quiser vir a Bali eu diria três coisas.

Que se preparassem para:

  1. enfrentar um calor de 30*C (o dia inteiro, mesmo de madrugada),
  2. dirigir em um trânsito super caótico, louco e sempre imprevisível,
  3. fugir da policia!

Isso mesmo! Quando não tiver que fazer as três coisas ao mesmo tempo.

A cada vez que somos parados pela polícia aqui ficamos com mais medo dela e começamos a planejar uma próxima fuga. Ainda não tivemos que fugir literalmente dela, mas foi o que mais tivemos vontade de fazer, após ver que aqui a corrupção é ainda pior que o Brasil.

Um resumo do que são os policiais aqui: uns bandidos legalmente autorizados a nos roubar e, ainda por cima, uns medrosos!

Funciona assim: a polícia vê um turista no trânsito e manda parar sem nenhum motivo. A primeira coisa que pergunta é o seu país de origem e, em seguida, solta a seguinte frase: ” ah! Do Brasil? Então você não tem carteira de habilitação internacional para dirigir!” Eles não perguntam se você tem a tal carteira, eles já afirmam que não temos e acho que nesse momento os olhos deles giram como máquinas de casino, pensando: “Vou tirar dinheiro desses idiotas agora mesmo! Ganhei o dia!”


Dá uma raaaaiva! Você estava na rua dirigindo bem, super na lei, vendo os locais passarem a mil por hora, sem capacetes, com quatro, cinco, seis e até nove (!) pessoas “empoleiradas” em uma simples motinho e a polícia pára justo você? O que fizemos de errado?

É bem assim: quem é daqui faz o que bem entender no trânsito e nunca será parado ou multado pela polícia; mas o coitado do turista… basta existir.


A primeira vez que a polícia nos parou há quase um mês atrás (logo que chegamos aqui) foi porque paramos em um sinal vermelho (!!!) antes de entrar em uma rua à esquerda. Ouvimos uma buzina no momento que paramos no semáforo e então seguimos “furando” esse conhecido sinal que no mundo inteiro significa que temos que parar. Engano nosso!

Aqui ele quer dizer mais ou menos assim: “você deveria parar, mas como nosso trânsito não pode parar porque é extremamente caótico e sem solução, você que é de Bali, siga em frente sem problema…nós vamos ficar de olho mesmo é nos estrangeiros que, provavelmente, não querendo infringir a lei, vão parar e nós da polícia vamos rir da cara deles e multá-los na maior cara de pau”.

E foi (quase) assim que aconteceu. Aquela buzina foi de um policial que, em um segundo, encostou na gente e mandou parar. Detalhe: mandou entrar em um beco, numa descida, de forma que não poderíamos escapar e ele poderia tirar nosso dinheiro sem que outros vissem o abuso da autoridade.


Começou daquela forma, perguntando de onde éramos, quanto tempo estávamos em Bali, de onde estávamos vindo, para onde iríamos (o que interessa isso?) e aí… bum! Pergunta fatal da linda carteira internacional (coisa que ninguém tem e que nos dois primeiros meses no exterior não precisa, pelo menos até onde sei).

Você deve estar pensando nesse momento que então melhor seria fazer a tal carteira no Brasil antes de vir. Engano seu de novo. Se você tiver, eles vão arrumar outra maneira de tirar uma grana de você igual. Vão dizer que você está com alguma coisa errada na documentação do moto (ou carro), ou achar algo estragado, ou inventar qualquer besteira tipo que você fez uma manobra errada, olhou algo que não podia… sei lá! Até mesmo dizer que você estava falando muito ou dançando enquanto esperava o sinal abrir!! Isso mesmo que ele nos disse quando discutíamos sobre a carteira: ele disse que no sinal vermelho estávamos dançando na moto! Tivemos que ter muita paciência para não sair no soco.


Aqui todo mundo sabe, eles mesmo comentam: a polícia é super, mas SUPER corrupta e se vende por 5.000 rupias, ou seja, 0,50 centavos de dólar que é 1,00 real!

É pouco? É sim, mas nós ainda não pagamos nas três vezes que nos pararam e não vamos pagar de forma alguma. Não vamos colaborar com isso.

Dessa primeira vez discutimos com o policial por uns vinte minutos. Falamos que não éramos europeus ricos, que nosso dinheiro não era euro nem dólar, que somos trabalhadores como ele que temos que trabalhar para ter grana e que estávamos dispostos a fazer de tudo para não perder nosso dinheiro e que então ele nos conduzisse a embaixada para ver porquê deveríamos ser multados. Falamos que ele sabia que aquilo era errado, perguntamos se ele era da religião hindu e quando ele disse que sim, começamos a falar sobre karma. Ele sabia bem o que era e como não tinha vocabulário como o nosso em inglês, deixou irmos sem nada cobrar. Tentou ainda ficar com a carteira de motorista brasileira do Guga, mas eu arranquei da mão dele e ele nem reclamou. Sabia que estava errado e que na Embaixada ia se dar mal…

Na segunda vez nem desligamos a motinho. Estávamos saindo de uma festa em Kuta e o policial certamente pensou que éramos esses turistas cheio de grana que dão cinco ou dez doláres sem reclamar para subornar eles e ainda acham barato. Engano dele! Só paramos a moto, sem desligar como disse, e “metralhamos” um monte de perguntas para o policial do tipo: “o que fizemos de errado para sermos parados? O que foi? Qual o motivo? Deve haver uma razão! Tem que haver!” E ele? Disse um boa noite e nos deixou ir. Sabia que estava tentando extorquir nosso dinheiro ilegalmente. Até saímos rindo dessa….

A terceira vez foi um terror. Cheguei em casa chorando. Fiquei tão nervosa na hora que comecei a gritar com policial e ele chamou seus colegas e eu achei que seria presa. Fui muito durona na hora, mas quando saí dali, chorei.
Estávamos em uma das principais avenidas aqui, a chamada By Pass e apenas uns 200 metros de casa, o que foi pior. A polícia fazia uma “blitz” escondida embaixo de uma árvore e só parava estrangeiros. Basta você ser de pele branquinha que eles te param. E já saem gritando, sem a mínima educação. Cobram a carteira internacional e gritam com muita raiva que você está fora da lei, caso não a tenha.

Dizem que basta dar uma notinha de 10.000 rupias (1,00 dólar) com o documento da moto que eles já liberam. A gente não faz isso e então somos quase que surrados. Verbalmente surrados fomos mesmo. Esse policial gritou tanto, mas tanto conosco que achei que ele queria descontar toda a raiva que estava contendo a vida inteira em cima de mim! Foi horrível. Ele não parava de gritar que eu não era de Bali, que não sei as leis daqui, que ele que sabia e aí vai…. Mesmo dizendo para ele se acalmar, que “ok” eu não tinha mesmo a carteira de motorista internacional, ele não parava de berrar e apontar o dedo na minha cara. Pegou nosso endereço e disse que mandaria a multa para nossa casa. Nunca mandou. Ele sabe que não pode mandar, pois não tinha razão.

Exemplo de como arrumar muita grana em pouco tempo:

Nos dá muita raiva ver como funciona a polícia aqui e, infelizmente, em muitos lugares ainda é assim. Eles são abusados, agressivos e te intimidam sem a menor vergonha. Se vendem por uma miséria. Aqui mesmo, quem quer trabalhar na polícia PAGA para entrar na carreira policial. Já começam corruptos! É horrível saber que tu tens que confrontar com a polícia e perder muita energia numa discussão desnecessária para não fazer parte dessa máfia policial.

Exemplo de como levar NOVE pessoas em uma só moto e a polícia não te multar (só sendo daqui mesmo…)!!! Reparem no bebezinho no balde. Incrível!


Muita gente foge da polícia. Nós não fugimos (ainda) quando eles nos pararam, mas confesso que aceleramos quando vemos que estão na rua ou simplesmente fazemos “cara de paisagem” quando um se aproxima. Não olhamos para eles de forma alguma. Se você olhar, já sabe: vão mandar encostar e aí ai ser aquela função…. Ou tu discute por horas e saí se sentindo mal ou paga 1,00 real e incentiva a máfia.


Isso está assim porque milhares de turistas pagam. Pagam bastante até. Dão dez dólares, vinte… para os europeus não é muito e para os policiais balineses é uma pequena fortuna. No fim do dia então… Dinheiro para festejar mais de um mês!

Nós não vamos contribuir para a corrupção da polícia aqui. Vou presa, mas não pago. Ah, não pago!! 

Ps: óbvio que para esse post peguei fotos da internet. Tirar fotos enquanto se está no trânsito pode ser motivo da polícia nos parar e nos multar… rsrsrsrs!

21
Feb

Carnaval de Frutas 

Enquanto no Brasil todos festejam o Carnaval… nós aqui nos deliciamos com essas frutas locais… lindas, coloridas, suculentas. doces, frescas, enfim… ótimas!!!

Olhem só essas três maravilhas da Natureza. Fiz fotos do antes e depois e é incrível com elas são quando se abre!

Quem diria que por dentro são assim: uma surpresa!!

 A que parece uma cebola roxa se chama Manggis (em Bahasa Indonésia) ou Mango Steen (em inglês). Ela é tão fácil de abrir que eu fiz um estrago em um de seus delicados gomos (dá até para ver na foto o “rombo” que fiz) porque achei que seria dura. Imagina, bem mais fácil que puxar a casca de uma bergamota. De todos seus gominhos, somente dois tem semente. O gosto é tipo um araça, só que bemmm mais doce, com muita água, daquele tipo de fruta que nos sujamos para comer… rsrsr, acho que do nome Mango=manga só o que lembra é a lambuzeira para comer e se deliciar!

A que parece um figo com casca de pele de cobra (ou será uma pinha?) se chama Salak. Ela tem essa casca incrível, como se fossem escamas de peixe e basta puxar que sai muito fácil também. Nenhuma dessas frutas requer uma faca. Dentro ela é tipo uma avelã, mais durinha e não tem muita água. O gosto é meio doce e azedinho, difícil de explicar. E tem uma baita semente marron brilhosa.

Olha eu feliz com ela no café da manhã… hehehe!

A pequeninha então é uma caixinha de surpresa! Uma bolinha dura que dentro tem tipo um ovinho branco, translúcido que é pura doçura. Essa dá para comer umas vinte de uma vez só! Se chama Lengkeng.

Agora a fruta que apavora: cheia de espinhos verde e roxa, a Dragon Fruit! Fruta do Dragão. Muito boa também. Por dentro ela é como um kiwi, porém branco com as sementinhas pretas (tem também na versão vermelha). Um pouco mais macio que kiwi e menos doce, dá para comer de colher!

Para finalizar reparem nessa fruta verde aí na foto. Sabem o que é? Uma manga!! Sim! Aqui ela é verde por fora, mas igualmente amarela e doce por dentro. Só engana parecendo não estar madura, mas já está no ponto!

E a laranjinha? Um maracujá! Dentro ele é branco e mais doce que o nosso.

Bom retorno do Carnaval a todos! Comam frutas para se recuperar.. rsrsrsrs! :)

15
Feb

A minha mais nova (divina!) tatuagem: o Ganesha! 

Que a Índia me transformou, isso já percebi. Que dessa maravilhosa experiência pelo Oriente cresci muito, também. Aprendi sobre outras culturas, outros povos, outras religiões. Aprendi muito mais sobre o significado de ter fé. Me encantei pela religiosidade que esse povo tem nessa Terra chamada Índia. Recebi muito dela e serei grata para sempre pela oportunidade de ter estado lá e vivido sua cultura.

Eu já sabia que a Índia ficaria marcada em mim para sempre. E, agora, LITERALMENTE marcada para sempre! Pois que juntei a paixão que tenho por tatuagens e minha louca vontade de ter mais algumas (agora já são seis) com um motivo muito inspirado. Resolvi fazer aqui em Bali - local famoso por seus “tatuadores artistas” - o meu Ganesha.

Deus Ganesha. O removedor de obstáculos e Deus da Sabedoria.

Eu já estava levando o desenho dele para o Brasil e faria de qualquer forma lá. Tenho o desenho escolhido desde a nossa linda, linda cidade de Rishkesh. Achei em uma livraria um sticker e colei atrás do meu ipad. Ou seja, já olhava eles todos os dias desde lá.

Pesquisei desde que cheguei aqui em Bali os melhores estúdios de tatuagem, visitei diversos lugares, olhei fotos de trabalhos realizados, conversei com pessoas (estrangeiros que confiaram sua pele a um balines) e, por sorte, o melhor de todos ficava na rua que estamos: o PJ Tattoo Studio. Fui lá conversar com ele e vi que ele havia feito um Ganesha em uma alemã no ano passado muito lindo. Entrei em contato com ela no Facebook e embora o meu fosse um Ganesha Indiano (pois o dela era no estilo Balines que tem uma cara agressiva e algumas coisas diferentes), ela foi só elogios ao tatuador, disse que ele é um artista e tanto. Agora já posso confirmar com toda certeza do mundo.

Foram mais de seis horas (6h 25min para ser exata) da mais pura dor e prazer. Tudo doía muito (para que não tem idéia da dor, para mim, ela é como se uma faca bem pontuda fosse aquecida no fogo e já laranja de tão quente fosse enfiada na sua pele, raspando sem parar ou ainda se você estivesse levando choques elétricos infinitos enquanto uma água fervente cai sobre a pele) mas, eu estava adorado!

Os tatuadores ficaram impressionados com a minha resistência. Não pedi nenhuma vez para parar, ao contrário dele que pediu duas vezes um “break”. O Guga ficou comigo quase todo tempo, saiu só na primeira hora e depois para pegar uma Coca Cola e um sanduíche. Não que não estivesse doendo muito. Mas de nada adiantaria parar um pouco e eu queria ver logo o resultado. Quando se faz o que quer e com amor, tudo fica mais fácil.

Mas confesso que na hora do ratinho eu quase morri. Logo o rato que tem um significado bem expressivo (mais abaixo eu explico todos significados). Se o rato lembra que o Ganesha não é só poder, ele me fez sentir que eu também não era tão poderosa e tão brava assim como estava me achando. Desempenhou o seu papel com excelência, ratinho esperto!

O meu tatuador foi um artista maravilhoso!! Ele mudou o desenho em muitas partes para ficar exclusivo para mim, claro. Mas isso sem eu dar palpites. Apenas entreguei nas mãos dele e estou tão feliz com o resultado que estou quase virando do avesso para ficar todo tempo me olhando no espelho. Rsrsrs!

Abaixo algumas fotos da sessão:

Deixo os contatos do PJ, meu tatuador: PJ’ s Tattoo: email: pj.tattoo@yahoo.com / Facebook: pjs.tattoo@yahoo.com / Address: JL. Pantai Shindu, n. 4, Sanur, Bali, Indonesia / Phone: 081 338 678 227

E aqui a linda história de Ganesha e as preciosas informações sobre todos seus significados, para quem tiver curiosidade. Pesquisei na internet mais a fundo para que ficasse bem completo, embora não seja super entendida no assunto, pois sobre os Deuses Hindus são muitos os significados e entendimentos.

Além do que eu já sabia lá da Índia eu quis saber sobre cada parte da sua imagem e fiquei surpreendida com o que achei.

Pode ser uma leitura demorada, mas acredito que em alguma parte vai tocar a quem se dispuser a ler. Como eu mesma digo posteriormente: é divinamente interessante saber sobre os significados que ele traz em sua imagem.

O texto não é copiado, é um resumo que eu fiz de tudo que li. Para mim, ele estará sempre bem pertinho . FELIZ DEMAIS!! :)

Ganesha é filho de Shiva, Deus da destruição e de Parvati, Deusa do Amor. Conta a lenda que Parvati, incomodada pela recusa de seu marido em respeitar sua privacidade, um dia, quando se preparava para tomar banho, retirou um pouco de pasta de sândalo de seu corpo e fez a imagem de um menino. Após dar-lhe vida, pediu que ele fosse seu guardião e que protegesse a casa impedindo a entrada de estranhos. Assim, quando Shiva voltou de suas meditações na floresta o menino não o deixou entrar na casa. Furioso, Shiva iniciou uma batalha com o menino que, ao final, teve sua cabeça decepada.

Assim que viu o que acontecera, Parvati ordenou que seu marido desse vida novamente ao seu filho e ordenou que recolocasse sua cabeça, porém essa não foi mais encontrada. Para satisfazer sua esposa, Shiva ordenou que seus seguidores, os chamados Ganas, trouxessem a cabeça do primeiro ser vivo que encontrassem. Um filhote de elefante descansava com sua mãe na floresta e esse foi o escolhido para ter sua cabeça arrancada e colocada no menino decepado, para que esse renascesse. Com um sopro de vida de Shiva, surgiu Ganesha, seu filho. Um menino com cabeça de elefante. “Gana” significa os seguidores de Shiva e “Isha”, o Senhor. Assim, Ganesha significa “O Senhor de todos os Ganas”. Também, “Ga” representa o Intelecto e “Na” a Sabedoria.

Na Índia, Ganesha é sempre encontrado na entrada das casas, perto da porta e também está sempre presente em estabelecimentos comerciais, pois traz proteção a casa e a família e prosperidade nos negócios.

Ganesha traz muitos simbolismos, através da análise de sua imagem. É divinamente interessante o significado de cada parte representada nele:

Primeiramente a junção da figura humana com a animal. A metade de um corpo humano e a outra um Elefante e mais representação de outros dois animais: o rato e a cobra (muitas vezes na figura de uma corrente ou um grande cordão enrolado no seu corpo). Essa junção representa o eterno esforço do ser humano em direção à Natureza, ou seja, a sua origem natural.

A CABEÇA DE ELEFANTE significa a força e proeza intelectual: a inteligência. O elefante é o maior e mais forte de todos os animais da floresta e pode destruir qualquer coisa em pouco tempo, quando provocado. É um “exército de um só ser “. Porém, ao mesmo tempo, se lhe derem amor é facilmente manejado, sendo leal ao seu tratador, gentil e carinhoso. Além disso, embora com todo esse tamanho, ele é vegetariano e não precisa matar para comer.

Suas grandes ORELHAS representam que devemos escutar mais. Ainda representam o bem e o mal. Escutam tudo, mas só retém o que é bom.

A grande TROMBA significa o poder de Discernimento. Ao mesmo tempo que ela pode derrubar uma árvore e carregar toras de madeira maciça enormes, ela também sabe ser delicada o bastante para descascar uma noz ou apanhar pequenos talos de grama. Lembrando que devemos também discernir o poder de nossa força e saber como, quando, onde e o motivo de usá-la.

A PRESA ÚNICA (pois a outra está quebrada) significa a sua habilidade de superar todas as formas de dualismo. Também conta uma lenda que a pedido de Vyasa, ele arrancou seu dente e transformou em pena para ajudar nas escrituras do Mahabharata (parte dos Vedas, Livros Sagrados). Assim, nos ensina que nenhum sacrifício é grande o suficiente na busca pela sabedoria.

O TRIDENTE em sua testa significa o Trishula (arma de Shiva) que simboliza o Tempo: passado, presente e futuro.

A sua grande e SALIENTE BARRIGA simboliza a sua habilidade de sugar todos os sofrimentos do Universo, protegendo o Mundo. Engolindo a dor, nos protege e remove os obstáculos que possamos encontrar.

A posição das PERNAS (uma descansando no chão e a outra em pé) representam a importância de vivermos tanto no mundo material quanto no mundo espiritual. A habilidade de “ser do mundo sem estar no mundo”.

Os QUATRO BRAÇOS representam as quatro habilidades do corpo sutil: a mente, o intelecto, o ego e a consciência condicionada. Cada mão segura um diferente objeto:

Mão que segura a MACHADINHA: símbolo de restrição de todos os desejos que trazem dor e sofrimento. Com a machadinha, Ganesha tem o poder de destruir e afastar todos os obstáculos.

Mão que segura o AGULHÃO (espora para elefantes): utilizado para cutucar os homens de volta ao caminho da retidão e da verdade. Com ele, Ganesha golpeia os obstáculos, afastando-os também.

Mão que segura o DOCE: esse doce se chama Modaka e simboliza a doçura do Eu interior realizado. É um doce típico indiano, muito oferecido aos Deuses.

Mão que segura a PRESA arrancada: simboliza a quebra da dualidade e também o sacrifício em busca da sabedoria. Como escrevi anteriormente, ele arrancou seu dente para transformar em uma pena para ajudar a escrever os Vedas, Livros Sagrados, não se importando com a aparência em favor da sabedoria.

O CORDÃO SAGRADO que atravessa seu corpo é a representação da cobra, mais um componente que lembra o retorno do homem em harmonia com a natureza.

O RATO, seu amigo e seu meio de transporte, geralmente está representado reverenciando seu senhor. Ele significa o intelecto.

Os ratos são capazes de viverem escondidos, sem o nosso conhecimento, por lugares onde nós jamais pensaríamos em entrar. Exato como nossa mente perturbada. Ele significa nossos devaneios, nossa mente desobediente atraída por indesejadas ou corrompidas razões. Ao mostrar o rato reverenciando o Senhor Ganesha, entende-se que o intelecto foi domado pelo poder de discernimento de Ganesha.

O rato os ensina também a estarmos sempre alerta e ilumina nosso eu interior com a luz do conhecimento.

Muitas representações de Ganesha trazem ele montado no rato que é também seu meio de transporte. Mas como poderia isso se o rato é tão pequeno para um ser tão gordo e pesado? Embora pareça estranho esse humilde ratinho ser quem levanta e leva o enorme Ganesha, o que está representado é que um ser sábio como Ganesha não vê nada no mundo que seja feio, desproporcional ou incapaz de superar seus desafios.

O sagrado símbolo do “Aum” presente em sua face é o mais poderoso símbolo universal da Divina Presença no hinduísmo. É o som primordial, gerado quando o mundo veio a existência. Quando invertido nós dá o perfil perfeito do Deus com a cabeça de um elefante, o Ganesha.

AUM!