O que pode ser mais afiado que um coral? Nem a pontinha de uma faca bem assassina se aproxima desse perigoso ser dos mares.
Assim que são os corais aqui:



E eles estão embaixo da água fofinha e tranqüila, onde você está nadando, vendo peixinhos, até tentando caminhar ou… pior: surfando.
E a bomba que te empurra para o coral? Forte.

O perigo que se esconde:

Os surfistas amam bancadas de coral, pois as ondas que quebram nesse tipo de barreira não se alteram conforme o fundo do mar, como acontece nas praias de fundo de areia macia. Aqui na Indonésia, lugar de sonho do surf, os corais se estendem desde a areia (muitas vezes as pedras iniciam bem antes da água) e vão até lá no fundão, bem depois de onde as ondas quebram, ou seja, todo mundo tem que pisar no coral, desde os que ficam só pegando um sol e mergulhando para se refrescar, até os que vão direto para o surf.
A maré muda muito rapidamente aqui também. Freqüentemente chegamos na praia e tem um monte de água até a beirinha, mal dá para ver o coral e em menos de duas horas já podemos caminhar sobre ele por cerca de 50 metros. Assim mesmo!
Olha só como estava a praia de Uluwatu no domingo passado, o Guga entrando e o cara surfando logo ali perto, já dentro do tubo!!

No fim do dia estava mais seco ainda e a onda gigante bem ali pertinho no raso. São todos uns malucos esses surfistas, digo eu.

E na maré cheia nem parece a mesma praia. Essa foto é no mesmo lugar da foto acima e ele já teve que entrar remando. Olhem ele ali:

A maré baixa, a ondulação cresce e aí…. Kamikase para os surfistas! Caiu no coral sem proteção… Se ralou, furou, cortou ou arrancou um pedaço mesmo! Uiiiiiii!
O Guga experienciou duas dessas já. A primeira ralou o braço e foi feio mesmo, demorou quase quinze dias para sarar e ainda tem muitas marcas e na segunda metralhou os dois pés de pequenos furinhos e rasgos que estão dando trabalho.



Se cortar no coral não é como se cortar com um vidro ou cair andando de skate. Qualquer pequeno machucadinho, se não for cuidado pode levar a uma infecção muito séria.
Como o coral é composto de muitos organismos vivos, ele tem um certo “veneno”, digamos assim. Pode ser um arranhão do tamanho de 0,5cm. Não importa, se não cuidar vai dar o que falar.. Ops! O que sentir, melhor dizendo.

Passamos um certo trabalho até desenvolver a técnica mais adequada para o tratamento dos cortes nos corais. Com a ajuda de amigos mais experientes, conhecimento dos locais e alguns depoimento de outros surfistas e pessoas que já passaram por isso, somado a tudo que fizemos para cuidar dos ferimentos do Guga, aqui vai o que resumimos para “kit emergência-sobrevivência” caso você também se corte:

1 - Sair do mar e passar água mineral imediatamente, se possível lavar com sabão e ter certeza que não restou nada do coral dentro do corte. O bom seria usar uma escovinha de dente macia, mas vale tudo na hora: nem que seja um pedaço da sua roupa, esfregue até sair tudo. Vai doer, lógico.

2 - A coisa mais importante e DICA DE OURO é o santo LIMÃO!!! Limão foi o que sempre curou as feridas infeccionadas e o que evitou que o corte fundo no braço do guga ficasse pior. Pegue limão e esprema seu suco em cima da ferida. Faça isso assim que sair do mar, depois de lavar com água (se não tiver água para o procedimento 1, faça o limão igual!). Vai doer mil vezes mais que lavar. Vai doer demais (tenho certeza que a dor é horrível pelas caras que o Guga fazia)… mas vai te salvar, pode confiar.

Limão direto no corte, direto em cima da carne… Uiiiiiii!!! Aproveite para gritar e xingar todos e tudo que estava te incomodando, dê uns pulinhos, xingue o coral e continue curtindo esse momento sem desistir.
Ai… Foi triste ver a dor desse limão. Mas funciona mais que tudo.
3 - Agora, chegando em casa compre “Betadine”. Aqui custa U$ 2,50 e tem até no supermercado. Mas cuidado! Esse medicamento é feito de um extrato de concha e alimentará o coral se ainda restar algo dele dentro de você, então só passe se tiver absoluta certeza que o local ferido está muuuuuito limpo.

Também encontramos dois remedinhos mágicos: Nebacetim em pó e um derivado que estão aí na foto.

No primeiro corte do braço do Guga usamos somente isso e ajudou bem, pois mantém o corte sempre seco e evita que entre sujeira, pois esse pó faz tipo um “gesso” no ferimento, protegendo até que se feche. O “Powarolam” foi o dono da casa aqui, o Pete, que nos deu, ele comprou na Malásia e parece que não tem aqui. Gostamos mais que o Nebacetim que desencadeava uma reação estranha, fazendo sair uma água de dentro do corte.
O resultado da aplicação:

Vale também tomar uma cerveja geladinha na beira da praia que é servida com amendoins e banana chips para aliviar os momentos de dor do limão, como foi o que fizemos no dia do corte fundo no braço. Ajudou. rsrsrsrs :)

Bom, ferimento tratado, agora seria ficar uns dias sem contato com o mar, ainda mais esse mar daqui que é tão vivo, com tantas algas, peixes, enfim… tudo que alimenta uma infecção. Porém, se as ondas estiverem rolando… Vai ser difícil.
Olhem só o que faz o Guga não ter medo do coral:



E com um pôr-do-sol desses então… espetáculo da Terra!!! E saindo no coral, lógico!






A única coisa boa dos corais são essas “piscininhas” que se formam. Água cristalina com um fim de tarde desse (já de noite na verdade - hora que os surfistas saem do mar).
Super lindo esse visual!

O Guga está se cuidando bem e a todos que nos perguntaram sobre ele, muito obrigada. Ele está melhorando bem rápido agora que adotamos as técnicas que relatei.
Mas vai comprar uma botinha para surfar! Hahahaha
Para quem quiser mais dicas, o artigo sobre “Fundo de Coral- Os prazeres e desprazeres” é ótimo. O depoimento e dicas do surfista nesse site também ajudou (está em inglês).
Fonte da foto embaixo da água: http://febryplay.blogspot.com/2011/12/11-best-diving-places-in-world.html
Ah! E como eu sou muito companheira, eu também me cortei no coral (machucado minuatura)… Mas dói, viu?? Oh ele aí no pezinho…
