5
Mar

No hospital testando o Seguro Saúde GTA “Quem tem medo do Coral” Parte II 

Ainda não tinha relatado aqui no blog (pois achei que seria algo passageiro e de cura rápida), mas o Guga, não satisfeito com os ferimentos dos corais, também está com infeção no ouvido. Começou uns doze dias atrás e estávamos tentando contornar o problema com óleo de tea tree, mas não estava funcionando.

Então - hoje - resolvemos ir no médico e com isso também testaríamos o seguro saúde, que é sobre o que vou falar e elogiar muito nesse post.

Para ir a Índia fizemos somente aquele seguro saúde que se chama “Deus nos proteja” e ele nos protegeu mesmo! Um monte de gente ficou apavorado de viajarmos sem nenhum seguro e apenas com três óleos essenciais: de tea tree, lavanda e citronela (esse último para mosquitos). Deu tudo certo, passamos mal com as contaminações da comida, mas tudo dentro do script de uma Viagem ao Oriente.

Para vir a Indonésia era diferente. O Guga surfa e aqui os perigos são enormes com o mar, fora esse trânsito maluco que me faz todos os dias acreditar que milagres existem sim e que estamos sob forte proteção.

Pois bem. Eu continuo com o seguro de saúde “que Deus continue me olhando” e para o Guga fizemos o seguro da GTA. Eu já havia feito esse seguro quando fui para os EUA, mas não tinha utilizado, portanto não sabia se era bom mesmo.

Esses tipos de seguro saúde internacional são ótimo e para alguns lugares, como a Europa, são obrigatórios. Caso alguém estiver indo para Europa, vale a dica que é quente: você pode utilizar seu seguro aí do Brasil, do INSS para ir, pois é válido em alguns países como Itália, Portugal, entre outros. Mesmo se não estiver empregado com carteira assinada, é só ir no INSS e pagar uma taxa de autônomo que eles validam. Confira aqui.

Alguns cartões de crédito internacionais (Visa, Master e outros) também tem seguro saúde e bem completos, mas tem que pagar a passagem com o cartão… Coisa que descobrimos só depois, infelizmente.

O seguro da GTA é bem fácil de fazer. Fizemos através da nossa agente de viagem quando estávamos saindo da índia. Tem que fazer antes de entrar no país que você quer ter o seguro. Não adianta fazer depois que eles não vão aceitar, viu?

Pegamos a categoria Bronze. Não foi muito caro não, pagamos U$ 78,00 (setenta e oito dólares) para dois meses. Fazer o seguro é simples e leva, no máximo, uma tarde. Basta passar seus dados para o agente de viagem e pagar que no mesmo dia ele te manda a apólice. Aqui dá para ver mais ou menos os valores que minha agente tinha cotado e os tipos de planos. O bronze já estava o suficiente e, assim fizemos com validade até o dia 05/03 - hoje!!

Para quem não tem um agente de viagens, recomendamos a Viamercosul SA que, inclusive, está acompanhando nossa viagem através desse blog.

Simmmmmm…. Só no último dia de seguro fomos usá-lo! Confesso que achei que não funcionaria, primeiro porque no contrato dizia para ligar a cobrar para a GTA, porém quem disse que dá lara ligar a cobrar aqui da Indonésia? Muito fácil da Europa, Canadá, EUA e outros, mas nem no site da Embratel tinha o tal código para ligações a cobrar. Inclusive já tivemos problemas com isso, pois, por exemplo, para ligar para o cartão de crédito, só aceitam a cobrar e aí fica díficil….

Mas que bom que tinha um número normal e usamos esse para ligar. Eram 16h aqui, madrugada no Brasil (estamos 11h na frente de vocês) e ligamos para a GTA São Paulo.

Prontamente atendeu uma menina. Ela perguntou o que tinha acontecido, pediu o número da apólice (que tem no contrato, bem visível), o CPF do Guga, idade e nosso número de contato aqui. Além disso, perguntou a região de Bali que estamos e disse que em 40 minutos alguém ligaria.

Minutos antes eu tinha pesquisado em alguns blogs sobre a GTA e em um deles falava super mal, que eles diziam que entrariam em contato, mas não entravam, que demoravam… Fiquei até desconfiada, mas… O telefone tocou! Era alguém da GTA (falando em inglês) dizendo que poderia marcar o médico no Hospital Internacional de Bali às 18h.

Nooooooooossa! Perfeito. Aqui do lado de casa, praticamente na mesma avenida e tão rápido. Ficamos surpresos com o atendimento da GTA.

Mas melhor ainda foi o fim da consulta. Todos os medicamentos foram pagos pela GTA. Pode isso? Mas que maravilha. Só vamos falar bem desse seguro agora e super recomendo para viagens: não é tão caro, atendem você no telefone sem musiquinha e sem espera e te colocam em hospitais bons mesmo - além de pagar o medicamento.

Olha só o Guga com a sacolinha do hospital. E a caixinha personalizada então?

Saímos de lá, sem gastar um centavo, com um remédio para infecção e umas gotinhas de antibiótico para pingar no ouvido.

Agora devo postar tudo que a Doutora disse sobre infecções no ouvido e, principalmente, sobre os CORAIS. Alguns pontos do meu último post vou corrigir/melhorar.

CORTES EM CORAIS: ela disse que o remédio “Betadine” (que comentei no último post) deve ser usado somente em um primeiro momento para limpeza e, após aplicação, devemos lavar com água e não aplicar mais. Ela disse que o limão não. Fez até uma cara de susto. Nesse ponto não concordamos, pois aqui todos locais usam limão e foi o que mais ajudou nos cortes do Guga (imagina que um médico vai concordar que uma fruta ajuda em algo!). Também disse que tem que cortar total as idas no mar e piscina até o corte fechar por completo. Também contou que há uma bactéria nos mares de todo o mundo que se você pega, tem 50% de chance de vida. Isso não é muito divulgado, mas ontem mesmo estava vendo um vídeo chamado “Terráqueos” que falava justamente dessa bactéria, oriunda da matança de animais para servir de alimento ao homem.

ps: Faço aqui uma pausa para o bem do mundo: “Terráqueos” - Filme esse que todo ser humano deveria ver (perdão para interferir sobre isso no post sobre o hospital, mas assim eu faço minha parte nesse mundo de pessoas horríveis, cruéis e ignorantes). Desafio alguém assistir todo esse filme (tem no YouTube com legendas em Português e ele é real, filmado às escondidas) e mesmo assim continuar comendo carne, usando couro ou pele ou olhar um medicamento como antes. Eu duvido. Duvido. Quem assistir todo - até o fim mesmo - sem tapar os olhos, vai mudar. Ou pode começar a comer o bebezinho da família fatiado, junto com seu cachorro de estimação temperado. E o gatinho persa de sobremesa cozido no microondas.Vi esse filme e durante seus 40 minutos quis mesmo que algo aconteça com a humanidade para valer. Chorei ao ponto de minhas lágrimas me cegarem e ter que voltar o vídeo e, por todo o tempo, desejei profundamente que todos pudessem ver esse filme um dia e que acordem! Ou tomamos consciência vendo o que está na nossa cara e mudamos, ou pagaremos todos com o resultado disso. Pronto, falei! é meu dever como ser humano fazer isso, já que tenho tantas pessoas que agora estão lendo o que eu escrevo. Podem ver o filme sozinhos, sem contar a ninguém, em casa quietinhos sem alarde. é quando estamos sozinhos mesmo que aquela “voz interior” conversa conosco…..

Voltando as indicações da doutora, agora sobre INFECÇÕES DE OUVIDO: achamos super interessante o que ela disse sobre a cera do ouvido e a diferença dos povos. Sabiam que quem vive em climas tropicais (tipo aqui que faz em torno de 30ºC todos os dias do ano) tem os ouvidos maiores e o canal mais alongado? Isso para que no calor a cera do ouvido possa ser expelida mais facilmente. E nós? Claro que não. Por isso ela disse que quem vem para essas regiões é recomendado fazer uma limpeza com o otorrino antes, assim a cera não acumula (e as bactérias e fungos não se proliferam no ouvido).

Ela recomendou também uma solução que se chama “Water Ear” (água do ouvido traduzindo) para aplicar depois do surf. é uma mistura de álcool e vinagre que ajuda a retirar o excesso de água e limpar. Tentamos fazer essa solução em casa, por recomendação da mãe do Guga, mas quem disse que achamos álcool de verdade aqui? Só em gel que não funcionava. Ah! O vinagre serve para não ressecar o ouvido disse a médica.

Por fim, o seu Gustavo está de novo sem poder surfar…. :(


Vai ficar mais cinco dias em casa cuidando do ouvido e dos corais. Além disso ele tava com pressão alta, como constatamos no hospital. Deve ser pelo susto de ter que ficar mais uns dias de molho e porque nossa viagem está se encaminhando para o fim… Ohhhhhh! Nem quero comentar sobre isso agora: em outro post!

Agora a parte de dar risada: perguntamos a médica se ok deixar o ar condicionado a 16°C dia todo e sabe o que ela disse? “Nãooooo, ar condicionado somente a 27º!!”

27ºC?? Ahhhh, tá! Piada, né?
Pior que essa temperatura já é inverno para eles aqui….

Ah! Voltando a falar naqueles humanos estúpidos que ainda vivem nesse Planeta, hoje mesmo, indo para o hospital (de moto e na chuva) nós fomos vítimas desse tipo de gente. Uma camionete grandona e preta se aproximou buzinando e quando demos lugar o vidro se abriu e um bando de loucos (só posso chamar assim) começou a gritar e atiraram na gente uma sacola de lixo do Mc Donalts. Pareciam ser uns australianos com motorista balines. Gritamos com ele e eles continuaram gritando e rindo em alta velocidade. Um absurdo, um nojo, nem sei o que falar. Colocaram a gente em risco numa pista molhada e para que??? São uns porcos mesmo. Comendo porcaria do Mc e fazendo mais porcaria ainda no trânsito, achando bonito assustar as pessoas.

Ai Senhor, que será desse mundo?

2
Mar

Quem tem medo do coral? 

O que pode ser mais afiado que um coral? Nem a pontinha de uma faca bem assassina se aproxima desse perigoso ser dos mares.

Assim que são os corais aqui:

E eles estão embaixo da água fofinha e tranqüila, onde você está nadando, vendo peixinhos, até tentando caminhar ou… pior: surfando.

E a bomba que te empurra para o coral? Forte.

O perigo que se esconde:

Os surfistas amam bancadas de coral, pois as ondas que quebram nesse tipo de barreira não se alteram conforme o fundo do mar, como acontece nas praias de fundo de areia macia. Aqui na Indonésia, lugar de sonho do surf, os corais se estendem desde a areia (muitas vezes as pedras iniciam bem antes da água) e vão até lá no fundão, bem depois de onde as ondas quebram, ou seja, todo mundo tem que pisar no coral, desde os que ficam só pegando um sol e mergulhando para se refrescar, até os que vão direto para o surf.

A maré muda muito rapidamente aqui também. Freqüentemente chegamos na praia e tem um monte de água até a beirinha, mal dá para ver o coral e em menos de duas horas já podemos caminhar sobre ele por cerca de 50 metros. Assim mesmo!

Olha só como estava a praia de Uluwatu no domingo passado, o Guga entrando e o cara surfando logo ali perto, já dentro do tubo!!

No fim do dia estava mais seco ainda e a onda gigante bem ali pertinho no raso. São todos uns malucos esses surfistas, digo eu.

E na maré cheia nem parece a mesma praia. Essa foto é no mesmo lugar da foto acima e ele já teve que entrar remando. Olhem ele ali:

A maré baixa, a ondulação cresce e aí…. Kamikase para os surfistas! Caiu no coral sem proteção… Se ralou, furou, cortou ou arrancou um pedaço mesmo! Uiiiiiii!

O Guga experienciou duas dessas já. A primeira ralou o braço e foi feio mesmo, demorou quase quinze dias para sarar e ainda tem muitas marcas e na segunda metralhou os dois pés de pequenos furinhos e rasgos que estão dando trabalho.

Se cortar no coral não é como se cortar com um vidro ou cair andando de skate. Qualquer pequeno machucadinho, se não for cuidado pode levar a uma infecção muito séria.

Como o coral é composto de muitos organismos vivos, ele tem um certo “veneno”, digamos assim. Pode ser um arranhão do tamanho de 0,5cm. Não importa, se não cuidar vai dar o que falar.. Ops! O que sentir, melhor dizendo.

Passamos um certo trabalho até desenvolver a técnica mais adequada para o tratamento dos cortes nos corais. Com a ajuda de amigos mais experientes, conhecimento dos locais e alguns depoimento de outros surfistas e pessoas que já passaram por isso, somado a tudo que fizemos para cuidar dos ferimentos do Guga, aqui vai o que resumimos para “kit emergência-sobrevivência” caso você também se corte:

1 - Sair do mar e passar água mineral imediatamente, se possível lavar com sabão e ter certeza que não restou nada do coral dentro do corte. O bom seria usar uma escovinha de dente macia, mas vale tudo na hora: nem que seja um pedaço da sua roupa, esfregue até sair tudo. Vai doer, lógico.

2 - A coisa mais importante e DICA DE OURO é o santo LIMÃO!!! Limão foi o que sempre curou as feridas infeccionadas e o que evitou que o corte fundo no braço do guga ficasse pior. Pegue limão e esprema seu suco em cima da ferida. Faça isso assim que sair do mar, depois de lavar com água (se não tiver água para o procedimento 1, faça o limão igual!). Vai doer mil vezes mais que lavar. Vai doer demais (tenho certeza que a dor é horrível pelas caras que o Guga fazia)… mas vai te salvar, pode confiar.

Limão direto no corte, direto em cima da carne… Uiiiiiii!!! Aproveite para gritar e xingar todos e tudo que estava te incomodando, dê uns pulinhos, xingue o coral e continue curtindo esse momento sem desistir.

Ai… Foi triste ver a dor desse limão. Mas funciona mais que tudo.

3 - Agora, chegando em casa compre “Betadine”. Aqui custa U$ 2,50 e tem até no supermercado. Mas cuidado! Esse medicamento é feito de um extrato de concha e alimentará o coral se ainda restar algo dele dentro de você, então só passe se tiver absoluta certeza que o local ferido está muuuuuito limpo.

Também encontramos dois remedinhos mágicos: Nebacetim em pó e um derivado que estão aí na foto.

No primeiro corte do braço do Guga usamos somente isso e ajudou bem, pois mantém o corte sempre seco e evita que entre sujeira, pois esse pó faz tipo um “gesso” no ferimento, protegendo até que se feche. O “Powarolam” foi o dono da casa aqui, o Pete, que nos deu, ele comprou na Malásia e parece que não tem aqui. Gostamos mais que o Nebacetim que desencadeava uma reação estranha, fazendo sair uma água de dentro do corte.

O resultado da aplicação: 

Vale também tomar uma cerveja geladinha na beira da praia que é servida com amendoins e banana chips para aliviar os momentos de dor do limão, como foi o que fizemos no dia do corte fundo no braço. Ajudou. rsrsrsrs :)

Bom, ferimento tratado, agora seria ficar uns dias sem contato com o mar, ainda mais esse mar daqui que é tão vivo, com tantas algas, peixes, enfim… tudo que alimenta uma infecção. Porém, se as ondas estiverem rolando… Vai ser difícil.

Olhem só o que faz o Guga não ter medo do coral:


E com um pôr-do-sol desses então… espetáculo da Terra!!! E saindo no coral, lógico!

A única coisa boa dos corais são essas “piscininhas” que se formam. Água cristalina com um fim de tarde desse (já de noite na verdade - hora que os surfistas saem do mar).

Super lindo esse visual!

O Guga está se cuidando bem e a todos que nos perguntaram sobre ele, muito obrigada. Ele está melhorando bem rápido agora que adotamos as técnicas que relatei.

Mas vai comprar uma botinha para surfar! Hahahaha

Para quem quiser mais dicas, o artigo sobre “Fundo de Coral- Os prazeres e desprazeres” é ótimo. O depoimento e dicas do surfista nesse site também ajudou (está em inglês).

Fonte da foto embaixo da água: http://febryplay.blogspot.com/2011/12/11-best-diving-places-in-world.html

Ah! E como eu sou muito companheira, eu também me cortei no coral (machucado minuatura)… Mas dói, viu?? Oh ele aí no pezinho…